O impacto do processo de bolonha
"reflexão em torno de valores tais como capital humano, empregabilidade, cidadania, diversidade cultural e religiosa, liberdade e paz"
"(...) adopção de medidas com vista à redução de taxas de abandono escolar"
"(...) contributo decisivo para a dimensão europeia, para a educação, para a cidadania e para o desenvolvimento(...)"
O processo de bolonha, tão esperado e desejado e ao mesmo tempo tão causador de incertezas e suores frios..( ;) ) que impacto terá na realidade a sua chegada? A expectativa é tanta, e tantas são ainda as perguntas sem resposta
De facto, os objectivos são todos muito optimistas. Quase me apetece dizer que tenho inveja dos alunos que no próximo ano entrarão na universidade. Prometem-lhes uma fórmula mágica de ensino onde a motivação será uma constante, conseguindo assim reduzir-se a taxa de abandono escolar, onde o desenvolvimento e a empregabilidade serão visíveis.
Será que tudo isto vai mesmo acontecer?
Parece-me pouco fácil. Senão vejamos, realmente estamos numa época em que os ciclos curtos são cada vez mais valorizados, mas a verdade é que o número de alunos que daqui a três anos já estarão licenciados através do processo de bolonha irá colidir com os que neste momento estão nos 1º ou 2º anos. Assim, a quantidade de alunos à procura de um primeiro emprego subirá nessa altura para o dobro ou triplo, e se nos dias de hoje a capacidade de resposta para empregar os jovens já não é a melhor, nesse momento poderá ser praticamente inexistente.
A idade com que os alunos terminarão uma licenciatura, não será também um entrave? A maturidade de um aluno com 21 anos será suficiente para a ingressão no mundo do trabalho?
Fala-se num ensino centrado no desenvolvimento de competências, acabando com a básica transmissão de conhecimentos que há tanto tempo nos habituámos. Pretende-se com isto oferecer uma melhor qualidade de ensino, obrigando o aluno a ter um função muito mais activa por oposição à passividade típica de mero espectador que sempre existiu no ambiente escolar. Haverá então formadores, professores suficientes com competência para alterarem o modo tradicional de ensino, conseguindo transmitir estes novos valores aos alunos?
E em relação ao caso português, visto que estamos a tratar de temas como a globalização, a competitividade e a mobilidade, será que os alunos portugueses vão conseguir acompanhar os outros alunos estrangeiros? Estaremos todos mesmo em pé de igualdade? A verdade é que sabemos perfeitamente que o nível dos alunos saídos do secundário em Portugal é inferior ao de outros países da Europa. A concorrência no estrangeiro será de facto grande o que tornará a questão da mobilidade uma dificuldade para os alunos portugueses. Mesmo com a facilidade da livre circulação, promovendo a coesão europeia que com tudo isto se pretende, a verdade é que um Português num país como a Bélgica dificilmente se conseguirá impôr, pelo menos numa perspectiva de médio prazo, pois para conseguirmos alcançar o mesmo que esses países, muitos hábitos e mentalidades terão de ser alteradas, situação que terá de demorar o seu tempo.
Bolonha promete um abraço europeu. Concerteza que este existirá um dia, mas serão inevitáveis algumas dificuldades que só a longo prazo poderão ser resolvidas.
"(...) adopção de medidas com vista à redução de taxas de abandono escolar"
"(...) contributo decisivo para a dimensão europeia, para a educação, para a cidadania e para o desenvolvimento(...)"
O processo de bolonha, tão esperado e desejado e ao mesmo tempo tão causador de incertezas e suores frios..( ;) ) que impacto terá na realidade a sua chegada? A expectativa é tanta, e tantas são ainda as perguntas sem resposta
De facto, os objectivos são todos muito optimistas. Quase me apetece dizer que tenho inveja dos alunos que no próximo ano entrarão na universidade. Prometem-lhes uma fórmula mágica de ensino onde a motivação será uma constante, conseguindo assim reduzir-se a taxa de abandono escolar, onde o desenvolvimento e a empregabilidade serão visíveis.
Será que tudo isto vai mesmo acontecer?
Parece-me pouco fácil. Senão vejamos, realmente estamos numa época em que os ciclos curtos são cada vez mais valorizados, mas a verdade é que o número de alunos que daqui a três anos já estarão licenciados através do processo de bolonha irá colidir com os que neste momento estão nos 1º ou 2º anos. Assim, a quantidade de alunos à procura de um primeiro emprego subirá nessa altura para o dobro ou triplo, e se nos dias de hoje a capacidade de resposta para empregar os jovens já não é a melhor, nesse momento poderá ser praticamente inexistente.
A idade com que os alunos terminarão uma licenciatura, não será também um entrave? A maturidade de um aluno com 21 anos será suficiente para a ingressão no mundo do trabalho?
Fala-se num ensino centrado no desenvolvimento de competências, acabando com a básica transmissão de conhecimentos que há tanto tempo nos habituámos. Pretende-se com isto oferecer uma melhor qualidade de ensino, obrigando o aluno a ter um função muito mais activa por oposição à passividade típica de mero espectador que sempre existiu no ambiente escolar. Haverá então formadores, professores suficientes com competência para alterarem o modo tradicional de ensino, conseguindo transmitir estes novos valores aos alunos?
E em relação ao caso português, visto que estamos a tratar de temas como a globalização, a competitividade e a mobilidade, será que os alunos portugueses vão conseguir acompanhar os outros alunos estrangeiros? Estaremos todos mesmo em pé de igualdade? A verdade é que sabemos perfeitamente que o nível dos alunos saídos do secundário em Portugal é inferior ao de outros países da Europa. A concorrência no estrangeiro será de facto grande o que tornará a questão da mobilidade uma dificuldade para os alunos portugueses. Mesmo com a facilidade da livre circulação, promovendo a coesão europeia que com tudo isto se pretende, a verdade é que um Português num país como a Bélgica dificilmente se conseguirá impôr, pelo menos numa perspectiva de médio prazo, pois para conseguirmos alcançar o mesmo que esses países, muitos hábitos e mentalidades terão de ser alteradas, situação que terá de demorar o seu tempo.
Bolonha promete um abraço europeu. Concerteza que este existirá um dia, mas serão inevitáveis algumas dificuldades que só a longo prazo poderão ser resolvidas.
