síndrome da revolução digital

Monday, May 22, 2006

O impacto do processo de bolonha

"reflexão em torno de valores tais como capital humano, empregabilidade, cidadania, diversidade cultural e religiosa, liberdade e paz"

"(...) adopção de medidas com vista à redução de taxas de abandono escolar"

"(...) contributo decisivo para a dimensão europeia, para a educação, para a cidadania e para o desenvolvimento(...)"

O processo de bolonha, tão esperado e desejado e ao mesmo tempo tão causador de incertezas e suores frios..( ;) ) que impacto terá na realidade a sua chegada? A expectativa é tanta, e tantas são ainda as perguntas sem resposta

De facto, os objectivos são todos muito optimistas. Quase me apetece dizer que tenho inveja dos alunos que no próximo ano entrarão na universidade. Prometem-lhes uma fórmula mágica de ensino onde a motivação será uma constante, conseguindo assim reduzir-se a taxa de abandono escolar, onde o desenvolvimento e a empregabilidade serão visíveis.

Será que tudo isto vai mesmo acontecer?
Parece-me pouco fácil. Senão vejamos, realmente estamos numa época em que os ciclos curtos são cada vez mais valorizados, mas a verdade é que o número de alunos que daqui a três anos já estarão licenciados através do processo de bolonha irá colidir com os que neste momento estão nos 1º ou 2º anos. Assim, a quantidade de alunos à procura de um primeiro emprego subirá nessa altura para o dobro ou triplo, e se nos dias de hoje a capacidade de resposta para empregar os jovens já não é a melhor, nesse momento poderá ser praticamente inexistente.

A idade com que os alunos terminarão uma licenciatura, não será também um entrave? A maturidade de um aluno com 21 anos será suficiente para a ingressão no mundo do trabalho?

Fala-se num ensino centrado no desenvolvimento de competências, acabando com a básica transmissão de conhecimentos que há tanto tempo nos habituámos. Pretende-se com isto oferecer uma melhor qualidade de ensino, obrigando o aluno a ter um função muito mais activa por oposição à passividade típica de mero espectador que sempre existiu no ambiente escolar. Haverá então formadores, professores suficientes com competência para alterarem o modo tradicional de ensino, conseguindo transmitir estes novos valores aos alunos?

E em relação ao caso português, visto que estamos a tratar de temas como a globalização, a competitividade e a mobilidade, será que os alunos portugueses vão conseguir acompanhar os outros alunos estrangeiros? Estaremos todos mesmo em pé de igualdade? A verdade é que sabemos perfeitamente que o nível dos alunos saídos do secundário em Portugal é inferior ao de outros países da Europa. A concorrência no estrangeiro será de facto grande o que tornará a questão da mobilidade uma dificuldade para os alunos portugueses. Mesmo com a facilidade da livre circulação, promovendo a coesão europeia que com tudo isto se pretende, a verdade é que um Português num país como a Bélgica dificilmente se conseguirá impôr, pelo menos numa perspectiva de médio prazo, pois para conseguirmos alcançar o mesmo que esses países, muitos hábitos e mentalidades terão de ser alteradas, situação que terá de demorar o seu tempo.

Bolonha promete um abraço europeu. Concerteza que este existirá um dia, mas serão inevitáveis algumas dificuldades que só a longo prazo poderão ser resolvidas.

Sunday, May 21, 2006

A internet é Democrática?

Ao fazer uma pesquisa na wikipédia sobre este assunto deparo-me com isto:
"Ciberdemocracia é a representação da democracia num meio virtual, o que se acredita existir na Internet.
A democracia na internet é vista como a democracia direta (ou "democracia pura") idealizada na Antiga Grécia, pois, os cidadãos deste "ambiente" têm, teoricamente, o poder de decisão e total liberdade de expressão da sua cidadania, denominada aqui como linkania."

Afinal, aparentemente a internet é mesmo democrática. Se a democracia é a liberdade do povo, e na internet liberdade não falta ao povo, então sim, é democrática. A cidadania passa a linkania(cidadania sem cidades) e cria-se assim uma nova forma de dar voz ao povo.

Através da internet, qualquer indivíduo pode expressar ou ler uma opinião. Pode ter acesso a toda e qualquer informação, afinal a informação é pública.
Vejamos, através da internet podem-se criar comunidades online, podem-se fazer amigos virtuais, pode-se dizer tudo o que nos vem à cabeça através de um blog, de um site, de uma chatroom, vai haver sempre alguém que vai ter acesso ao que foi dito, a liberdade é de facto total. Será demasiado? É que esta "liberdade fácil" permite também a publicação de informações falsas, assinadas com nomes falsos, que induzem a erros e assim se pode enganar a sociedade "não virtual".
Porque não nos podemos nunca esquecer que por trás de uma sociedade virtual, está a outra, onde tudo se reflete.

"Todo mundo tem o direito à informação. E graças à internet, os feudos estão acabando. Hoje o mérito não é ter informação e sim saber peneirá-la. Hoje informação é comoddity. E vivemos em um vácuo de gerações. Gente que ainda guarda arquivo do word no cofre e carinha que distribui seus desenhos pra quem quiser. A indústria fonográfica fica preocupada. A indústria farmacêutica ameaça brigar com o Brasil na OMC em função da quebra de patentes dos remédios contra a AIDS. O linux cresce."

"Antes a fórmula da coca-cola era um mito. Só duas pessoas sabem ... blábláblá. Essa era acabou. Hoje sabe-se a fórmula e a coke sabe que não tem pra ninguém na sua estratégia agressiva de distribuição e marketing. A fórmula você puxa na web. A estratégia de marketing ? Muita, muita grana."

"Hoje hacker ajuda a população avisando ao mundo que o Milosevic é canalha porque tem rádio na web que alertou ao mundo suas barbaridades"

in http://www.novae.inf.br/estraviz/informacaopublica.html

Não há limites na internet. Não há restrições à informação que está online. Talvez seja uma informação demasiado pública, um pouco perigosa até. Não há uma balança que equilibre os pratos da divulgação fácil e do anonimato.
Estamos a falar de uma democracia que quase se transforma em tirania do povo. A palavra de ordem é de todos. O líder desta tirania é o próprio povo.

Há no entanto um outro lado da questão.
A info-exclusão, que existe porque o acesso à internet e consequentemente a este vasto leque de informação, é globalmente desigual.
A info-exclusão, que como o próprio nome diz, provoca uma exclusão e discriminação, sendo mais uma forma de distinção entre países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento.
A info-exclusão que rouba à internet espaço democrático.
A info-exclusão que de facto existe e a força democrática com ela enfraquece.



pode-se ser demasiado criativo?

Confesso que quando vi o tema para o post, a primeira coisa que pensei foi, isto é fácil. No entanto, fiquei largos minutos parada a olhar para o teclado a pensar qual seria a minha opinião sobre este assunto. Lembrei-me então que li algures a frase "Temos que ser criativos para pensar sobre criatividade". E de facto é verdade. Se calhar faltou-me alguma criatividade.

Vejo a criatividade como uma qualidade absolutamente fascinante. Vejo-a como uma mais-valia, e não me parece que ser demasiado criativo possa ser mau. Muito pelo contrário, estamos a viver num mundo que deixou de andar e começou a correr a uma velocidade alucinante.
Mostrar a diferença é hoje em dia essencial para se atingir o sucesso e a diferença é cada vez mais difícil de ser encontrada. Quantas vezes já se ouviu dizer que já foi tudo inventado? Obviamente não levamos a frase à letra quando a dizemos ou ouvimos, mas o que é facto é que no campo da tecnologia, com o Boom a que assistimos diariamente, a inovação começa a ser cada vez mais escassa. Não me refiro, à novidade dos gráficos magíficos do último jogo da Play Station, dos efeitos visuais fantásticos do último filme do Spielberg, do alucinante programa novo de web design ou mesmo do hipnotizante novo telemóvel que até faz chamadas! Refiro-me sim, à dificuldade de se casar a inovação com a criatividade e conseguir ser acima de tudo original no meio de tanta originalidade que começa a envelhecer.
Por alguma razão, por mim incompreensível, noto no entanto, que ainda há algum "medo social", em aceitar a criatividade como algo realmente muito positivo. Dão-se algumas desculpas e rejeita-se a ideia de que esta possa ser essencial a uma empresa, seja ela de que ramo for.
A publicidade a meu ver, vive e alimenta-se da criatividade. Uma empresa de publicidade por exemplo, sem criativos de alto nível não sobrevive.
Num artigo situado em www.espacoacademico.com.br, descobri um senhor brasileiro e de seu nome Antônio Mendes da Silva Filho, que partilha comigo a mesma opinião sobre este assunto. diz ele, " Hoje em dia, encontra-se na sociedade aquilo que poderia ser denominado de ‘cultura de conformidade’, onde profissionais, estudantes e demais indivíduos são desencorajados a apresentarem soluções criativas" e continua dizendo "num ambiente corporativo, a criatividade ocorre em todos os departamentos de uma empresa. A criatividade é um dos maiores, quiçá o principal bem mais importante de um ambiente corporativo"
Assim, concluo que a critividade em demasia no fundo não existe. Que toda a criatividade é bem vinda e que este deve ser um campo a ter em conta em qualquer tipo de projecto. Deve haver incentivo à criatividade, pois esta, apesar de ser inesgotável pode ser adormecida, e deve ser sempre devidamente valorizada.

o regresso do síndrome

Compreendo obviamente que o facto de por vários motivos, não ter cumprido os prazos de publicação dos posts, me prejudique na forma de avaliação.

No entanto, o síndrome está de volta e cheio de opiniões!

A todos os meus fãs, um muito obrigada pelas cartas, e-mails e telefonemas de apoio e pelos constantes pedidos do meu regresso. É por vocês que faço isto!

Thursday, February 09, 2006

Que síndrome é este?

O Síndrome da Revolução Digital, não é nenhum defeito genético, não é sequer um defeito, mas é de facto algo que afecta o ser humano e cada vez mais de forma intensa e profunda. De um modo cada vez mais rápido, vão surgindo mudanças das quais nem nos apercebemos, a não ser quando estas já estão enraízadas na nossa sociedade e nos lembramos de olhar para trás e ver como as coisas antes eram diferentes.

Na disciplina de "Sociologia da Cultura dos Meios Digitais e Interactivos" espero abordar o impacto que toda esta revolução está a causar no nosso dia a dia. Espero alargar os meus horizontes e conhecimentos acerca deste assunto de modo a alargar o meu sentido crítico e opinativo e assim poder participar activamente nas discussões temáticas que teremos ao longo do semestre.